17 dezembro 2020

POEMINHA DE NATAL (2)

 

Papai Noel,

Este ano, eu queria pedir

Para o ano que está por vir,

Que o mundo fosse recriado.

 

Talvez, Deus ficasse chateado,

Mas depois de nos ver transformados,

Acabaria por admitir.

 

Já pensou um mundo sem ambição,

Com todos dando-se as mãos,

Em prol do bem comum?

 

Já pensou um mundo sem discriminação

De cor, sexo, religião,

E preconceitos caindo, um a um?

 

Papai Noel,

Traz esse mundo pra mim,

Que eu prometo não ficar zangada,

Se alguém, agora, estiver rindo de mim.

 

Cláudia Ferreira

17/12/2020

 

 

28 outubro 2020

GADO NO ABATEDOURO

                 Pensando sobre vacinação e, em especial, sobre a vacina da COVID19 e nas frases que tenho ouvido por aí: "Não vamos obrigar ninguém a tomar"; "Não quero ser obrigado a tomar"; "Não vou tomar vacina de país comunista"; “Ninguém confia nessa vacina”; entre outras.

                Quando foi que nos obrigaram a tomar vacinas, depois que iniciamos nosso processo democrático? Basta ver os números cada vez mais baixos das coberturas vacinais, para constatar que muita gente tem deixado de fazê-lo.

                Aliás, no Brasil, parece que não somos obrigados a nada, não é mesmo?

                Não podemos estacionar em qualquer lugar, mas estacionamos; não podemos viajar sem cinto de segurança, mas viajamos; não podemos ocupar assentos reservados a idosos, mas ocupamos; não podemos despencar um cacho de uvas ou de bananas, pra provar, mas despencamos; não podemos fingir que não vimos o troco a mais devolvido pelo caixa do supermercado, mas fingimos; não podemos furar filas, mas furamos;  etc, etc, etc.

                Então, não seria bom fazermos uma diferença entre "ser obrigado" e "ter a obrigação"?

                Voltando às vacinas, que tal pensarmos assim: "Não sou obrigado a tomar, mas tenho a obrigação de tomar, em respeito às pessoas que me cercam".

                Vocês, que sempre vacinaram seus filhos; que se vacinaram, mesmo depois de adultos, contra a febre amarela, contra o sarampo, contra o tétano; que acham chique ter que se vacinar pra poder viajar pra determinadas regiões do país ou pra outros países, não acham que estão caindo em contradição, ao dizerem que não querem ser obrigados a tomar uma vacina, em benefício de uma coletividade?

                Ah... Mas é aquela brincadeirinha de "macaco mandou", né?

                Não acham que já estão um pouco grandinhos pra serem paus-mandados e "brincarem" com a própria vida e a vida alheia?

 

Cláudia Ferreira

28 de outubro de 2020

05 outubro 2020

QUASE UM EPITÁFIO


                 A treva chega, muitas vezes, sem se anunciar.

                 Quando a gente vê, já escureceu.

                 Mas me parece que, no Brasil e em boa parte do mundo, ela chegou de mansinho, como numa tarde de verão, em que teimamos em alongar o tempo de praia, ou à beira de um rio manso, ou na espreguiçadeira da piscina.

                 Sabíamos que a noite chegaria, mas a promessa de um fim de tarde perfeito era mais acolhedora do que enfrentarmos a certeza da escuridão.

                 Então, de repente, saímos correndo da praia, porque o vento começou a soprar frio.

                 De repente, o caminho da beira do rio até a estrada ficou irreconhecível e perigoso.

                 De repente, levantamos da espreguiçadeira torrados de sol e ainda tendo que providenciar o jantar das crianças.

                 De repente, elegemos governantes que, agora, tarde demais, percebemos serem a própria treva.

                 De repente, o mundo mergulhou numa tremenda e nebulosa apatia.

                 De repente, eu não me reconheço mais em amigos, outrora, eternos.

                 De repente, não me reconheço mais em mim.

 

Cláudia Ferreira

4 de outubro de 2020


               

22 setembro 2020

QUANDO A SAUDADE VIRA POESIA


Fica o sorriso do palhaço

Ficam o púlpito e o palco

Ficam o aluno e o amigo

Parceiraço!

 

Fica a peraltice transformada em arte

Fica o artista com alma de menino

Fica a lembrança do último encontro

_Professora, há quanto tempo não conversamos!

_Saudades!

 

Fica a tarefa cumprida

O riso fácil

O abraço apertado

Fica, agora, o silêncio...

 

Cláudia Ferreira

22 de setembro de 2020

27 agosto 2020

ESCUTA... É POESIA...


Psiu! Escuta...

Ela chegou.

Retinas alteradas;

Ouvidos atentos;

Coração acelerado;

Palavras pulsando.

 

Psiu! Escuta...

Ela se materializou.

O branco virgem do papel,

Agora, tingido de cor.

Agora, iluminada por caracteres,

A tela, antes vazia, do computador.

 

Psiu! Escuta...

Linda, mesmo que cruel.

Vibrante, mesmo que triste.

Ardilosa, mesmo que singela.

Suave, mesmo que ligeira.

 

Psiu! Vê?

É a poesia...

E num segundo,

Sem pedir licença,

Já está em você.

 

Cláudia Ferreira

27 de agosto de 2020

13 julho 2020

ÁGUAS


Sou a “arca de Noé”, na fúria do Mar Negro;
A embarcação do corajoso Ulisses, na “odisseia” de Homero;
A temida barca de Caronte, no “juízo final” de Michelangelo;
A aventureira nau de Vasco da Gama, um dos “lusíadas” de Camões.

Sou Santa Maria, Pinta e Niña, nas conquistas de Colombo;
As desbravadoras caravelas de Cabral, na baía de Todos os Santos;
As pirogas de um tronco só, na tradição dos povos ameríndios;
O trágico “navio negreiro”, no mar de Castro Alves.

Sou “la barca” latina, romântica, na voz de Luis Miguel;
O divertido “yellow submarine” dos Beatles, com todos os amigos a bordo;
A triste “chalana” de Mário Zan, na voz do pantaneiro Almir Sater;
O veleiro esperançoso, no “porto solidão” do eterno Jessé.

Sou “o barquinho” bossa-nova de Menescal e Bôscoli;
A jangada, sustento dos pescadores de Dorival Caymmi;
A saudosa “barcarola do São Francisco”, no domingo de lua de Geraldo Azevedo;
A barca da “preta, pretinha” dos Novos Baianos.

Sou o barco dos “argonautas” na tormenta de Chico Buarque;
O barco à vela, na “aquarela” de Toquinho;
As regatas do “almirante negro”, “nas águas da Guanabara”;
O “corsário” tomando de assalto os corações de Aldir Blanc e João Bosco.

Sou as chegadas e partidas, no “cais” de Milton e Ronaldo Bastos;
O “barco sem porto” de Zeca Baleiro;
A barca Rio-Niterói, no transporte diário de trabalhadores;
Os barquinhos de papel das crianças com infância.

E na contraditória canoa furada,
Sou, com Rita e Roberto,
Quem rema contra a maré.
Não acredito em mais nada!
Só não duvido da fé.


Cláudia Ferreira
13 de julho de 2020

24 junho 2020

DESEJOS EM FRASES CURTAS



Estou usando uma túnica branca.
Meus cabelos grisalhos trago presos num rabo-de-cavalo.
Parada perto de uma cachoeira, com os pés descalços, piso uma grama macia.
Levo um sorriso de paz.
Acho que morri!
Costumo brincar que, se o céu for calmo demais, prefiro o inferno.
Mas aqui, neste lugar que contemplo, eu viveria.
Paraíso estereotipado, talvez.
Barulho? Nenhum.
Sons dos pássaros, da água, do vento.
Vejo outras pessoas, todas felizes.
Não conversam, apenas sorriem umas para as outras.
Desejo que tudo isso seja real, mas acho que morri.
Aliás, sempre desejo um mundo assim.
Com pessoas felizes, simplesmente.
Se não usufruir disso, em vida, não importa!
Desejo pra vocês.
Sejam felizes!
Simplesmente...


Cláudia Ferreira
24 de junho de 2020

RAINHA MANCA

  RAINHA MANCA Na história romana, consta que Claudius Caesar Augustus Germanicus, Imperador de Roma, de 41 a 54 d.C., tinha, entre outras...